quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

"Tropa" conquista Berlim (by IstoÉ Gente)

O filme brasileiro Tropa de Elite ganha o prêmio máximo no festival de Berlim, na Alemanha

Dois dias depois de receber o Urso de Ouro, prêmio máximo do Festival de Berlim, o cineasta José Padilha exibia evidentes olheiras durante a coletiva na Paramount Pictures, no Rio, na segunda-feira 18. O cansaço estampado no rosto denunciava as comemorações desde a vitória do filme Tropa de Elite em um dos festivais mais importantes do mundo, além das longas horas de entrevistas e viagens enfrentadas pelo diretor.

Apesar do cansaço, Padilha não deixou de esbanjar bom humor. “Essa estatueta está pesada, deve ser de ouro mesmo”, disse, enquanto posava para fotos ao lado do produtor Marcos Prado e de atores do filme como Maria Ribeiro, Fernanda Machado e Caio Junqueira. A atriz Fernanda de Freitas também entrou na brincadeira: “Me chama quando você for derreter o Urso.” Piadas à parte, o troféu já tem dono: “Gente, agora eu tenho que ir para casa para devolver o Urso para o meu filho brincar. Ele não gostou nada de eu tê-lo trazido para cá”, contou o diretor, cercado por seu elenco, com exceção do protagonista Wagner Moura. O ator não pôde festejar com os colegas porque estava em São Paulo ensaiando a peça Hamlet.O diretor José Padilha (de camiseta branca, ao centro) reúne elenco para comemorar a conquista do prêmio: André Ramiro, Caio Junqueira, Fernanda Machado, Maria Ribeiro, Marcos Prado (produtor) e Fernanda de Freitas

Polêmica
Não só no Brasil o longa-metragem foi alvo de polêmica. No Exterior, Tropa de Elite também foi cercado de burburinho. Na Europa e nos Estados Unidos houve críticas positivas, mas também negativas como as do jornal francês Le Monde e da revista americana Variety, que chegou a tachar a produção de fascista. Padilha abordou a questão com seriedade. “Vai no dicionário, lê o significado do termo fascismo, assiste ao filme e você vai ver que quem está dizendo isso está errado”, disse. Em seguida, foi irônico. “Liga para o Costa-Gavras e pergunta para ele se o filme é fascista”, disse, referindo- se ao cineasta grego e presidente do júri do festival alemão.

Padilha também lamentou o fato de ser sempre obrigado a falar sobre os temas polêmicos da produção. “O problema da violência urbana é um problema de violência urbana. Não é do filme Tropa de Elite”, afirmou.

Cidade de Deus, Notícias de uma Guerra Particular, Carandiru, todos esses filmes são amigos do Brasil no sentido de que expõem problemas do País e pressionam a classe política a fazer alguma coisa”, completou. Sobrou pouco tempo para o cineasta falar de amenidades, como a surpresa em vencer o prêmio que em 1998 foi destinado a Central do Brasil, de Walter Salles. “Só de estar na competição já era maravilhoso. Fomos para Berlim sem nenhuma expectativa”, contou o diretor, que nas horas vagas aproveitou para tomar cerveja alemã e conhecer os museus locais. Ao fim da coletiva, Padilha foi cercado por repórteres afoitos por mais declarações, e gentilmente os dispensou. Ele queria finalmente ter seu mais que merecido descanso.


fonte: IstoÉ Gente
data: 19.02.2008

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